10.10.2014

THE WALKING DEAD 400 Days

CAPITULO 2:




     Há muito escurecera, e Gustavo não pronunciara nenhuma palavra sequer, todavia, nem Vincent quis se intrometer na sua taciturnidade. O menino ficara observando a rua, as placas virem e passarem repentinamente, e o céu pintar-se de negro e as estrelas brilharem fortes. Transmitindo esperança a Gustavo, fazendo-o se esquecer dos acontecimentos traumáticos nesta tarde. Ele suspirara, bem que gostaria que fosse verdade, esta tarde foi intensa demais para ser simplesmente esquecida.
Vincent olhara de relance para ele. Estava preocupado. O garoto não estava reclamando e não fazia nada além de olhar as estrelas piscarem. Stálin o chamara, despertando-o da solidão eterna.
      -Você está bem?
Gustavo apenas o olhara com os olhos grandes e esverdeados. Sem resposta.
-Sério, diz alguma coisa. Você está calado desde que estamos na estrada. E isso seria o que? Quatro horas? – Vincent olhara o céu, procurando algo. –Está com fome?
Gustavo não respondera, porém seu estomago sim. Roncara tão alto que até mesmo Moacir se apavorara.
      -Acho que isso é um sim – Stálin demonstrara um sorriso genuíno e afiado ao garoto, contudo este não o correspondera com alguma reação. Apenas a cara de taxo e cansada de sempre. – Eu conheço essa área, sei que tem um posto por aqui.
O garoto assentira, não podia deixar o homem no ar, embora o tenha feito fazer coisas perigosas, de certa forma, ele o salvara. E Gustavo Moacir estava grato por isso. O menino relaxou em seu assento, e começara a fechar os olhos lentamente. Pegou no sono.
Em seu sonho, tudo estava completamente normal, nada de estranho tinha acontecido ainda. Estava tranquilo como costumava ser. Gustavo se encontrava num supermecardo, idêntica ao que trabalhava antes de resultar naquilo. Ora limpava o que sujavam, ora guardava o dinheiro na caixa eletrônica. Certamente era um tormento trabalhar como caixa, ficar em pé o dia todo, olhando para rostos feios até o final do turno. Contudo, estava melhor do que o mundo fora do sonho. Seu turno acabara finalmente, e alguém de rosto familiar vinha em sua direção. Era Boris. Seu chefe. Ele estava segurando dois outros garotos pela gola da blusa, arrastando-os. Gustavo bem sabia quem era, e esperava que um dia aquilo fosse acontecer.
      -Encontrei estes dois pivetes no corredor de doces. Estavam roubando mentos e explodindo garrafas de Coca. Conhece esses demônios? – O senhor seu patrão encarou cada um deles, enquanto estavam suspendidos pelas suas firmes mãos, e voltou a observar seu jovem funcionário.
Gustavo não teve tempo de responder. Alias, ele iria mentir sobre conhecer os amigos, eles estavam lhe causando prejuízos e não queria ser demitido tão cedo.
       -Então é aqui que você trabalha, Gu? – sacaneou Ronny Dominique, o de cabelos claros, usando um casaco de um azul chamativo. – Parece ser chato.
-Concordo – dissera maria-vai-com-as-outras,  Martim Dominique, o irmão mais novo de Ronny. Eles não se pareciam nem fisicamente nem intelectualmente. O cabelo de Martim era visivelmente ruivo, e isto era o que se destacava em sua aparência. Fora seu visual, sua personalidade era evidentemente angelical, apenas as escolhas de Ronny que deixava o irmão mais novo confuso. Podia se ver claramente as gotas de suor caindo de seu rosto, molhando o chão recentemente limpo por Gustavo.
Moacir lançara um olhar fulminante para os dois. Este era o emprego mais longo que já teve e eles estavam estragando isso.
      - Você conhece esses garotos, Gustavo Moacir? – perguntara o patrão Boris novamente, irritado.
      -Não senhor.
      -E porque eles te chamaram de Gu? – Boris estava desconfiado, apesar de ser muito influenciado.
      -Não sei, senhor – francamente, Gustavo já mandara os dois amigos pararem de o chamarem de Gu, era simplesmente humilhante à sua imagem de valentão.
Boris chegou mais perto do rosto do menino. Até que o garoto podia sentir o bafo de peixe do patrão, queria vomitar, mas sabia que deveria encara-lo até acreditar em Gustavo. Sentia sua alma queimando dentro de si só por estar sendo encarado pelo chefe. Engoliu seco. Encarou por mais um tempo aqueles olhos cinzentos e sem vida.
     - Gustavo, eu quero que você limpe todo o corredor agora mesmo – avisara-o baixinho. Depois respirara fundo para ditar as palavras um tanto altas: - OU ESTÁ DEMETIDO!
Gustavo Moacir assentiu, sacudindo a cabeça e fazendo uma reverência antes de partir correndo para o corredor de doces. Limpar toda aquela bagunça. Olhou por detrás do ombro e viu os dois amigos sendo levados para fora da loja, provavelmente foram expulsos, ou terão que pagar pelo prejuízo. Mais tarde, Gustavo cuidaria daqueles dois.
Quando terminou de limpar o corredor de doces, a maior bagunça que já vira, pior que a que guardava como troféu no seu quarto, já era tarde e o local estava fechando. Gustavo se despediu de todos, e saiu da loja. Encontrou os dois amigos do lado de fora, esperando, encostados na lata velha que era o carro deles.
      -Qual o seu problema cara? – perguntara Ronny, na defensiva – poderia ter nos ajudado, não?
      -Você ia me fazer perder o emprego, e agora eu tenho certeza de que parte daquilo vai ser descontado do meu salário. – rebatera Moacir, tirando o cadeado que prendia a bicicleta.
      -Bom, você não tem certeza sobre isso, certo? – Martim tentara melhorar o clima. Gustavo o encarara com escárnio e o garoto mais novo se enrubescera e encolhera de vergonha. –Olha me desculpa de verdade, Gu. Eu não estava nem a fim de fazer isso, fora Ronny que me obrigara! Ele sabia onde você trabalhava desde o começo e queria fazer uma surpresa pra você e me chamou para ajuda-lo; eu só não sabia que surpresa era, até hoje. Desculpe-me, mesmo Gu.
      -Obrigado Martim! – Ronny gritara de raiva. – Seu estúpido dedo-duro.
Moacir estava tão enlouquecido de rancor que já não sabia controlar as próprias emoções. Começara a rir, e Ronny, pensando que fizera uma coisa boa, seguiu o amigo, Martim Maria-vai-com-as-outras não sabendo da situação e não querendo estar sozinho, pensou ser hora de começar a rir junto.
      -Do que estamos rindo? – Martim perguntara confuso.
     -Vocês realmente me tiram do sério, caras. Estou rindo de sua estupidez, Ronny, estou cansado de ser a vitima de suas sacanagens, cara – dissera em tom sério. O momento de rir acabou, e sentia a ira subir queimando toda a sua garganta.
     -Ah, agora eu sou o estúpido?
-Sempre foi – rebatera. Levantando as sobrancelhas, estava surpreso por ele nunca ter percebido.
Os dois amigos desataram a xingar um aos outros, dos nomes mais de baixo calão possível. Estes não perceberam que por sob o tumulto, havia um barulho, um ruído estranho e ignoto. Martim tentara procurar a origem deste estranho barulho, observara todos os cantos da loja e as ruas. Estava tudo muito quieto, nada movimentando. Então, de onde seria esse som?
Martim chamara a atenção dos amigos briguentos, sem sucesso. Tentara mais uma vez. Contudo, estes estavam ocupados demais discutindo sua relação esquisita. No final da rua, vinha alguém, provavelmente estava irritado com o barulho que os dois rapazes estavam fazendo. O jovem garoto encolhera-se de vergonha e caminhou até o desconhecido.
     -Desculpe-me, senhor, prometo-lhe que não faremos nenhuma confusão. A propósito, já estávamos de saída – garantira o menino, percebendo que atrás de si, os dois amigos já haviam parado de discutir, e pré-escutavam Martim. O garoto mais novo observara que nada adiantara suas desculpas, o desconhecido continuava a andar na sua direção, ao mesmo passo. Estava bastante escuro, e mesmo com a certa proximidade do estranho, Martim não conseguia definir quem era. –Juro senhor, estávamos de saída.



Ronny dirigira o olhar para o contorno da estrada, e notou o seu irmão caminhando em direção à um completo estranho.
      -Martim! – sussurrara Ronny, batendo o pé, mostrando o quão nervoso estava. Apesar de estar longe, Ronny pôde sentir que o clima estava tenso, e tudo aquilo parecia suspeito. Era tarde da noite, não deveria ter ninguém há essa hora vagabundeando e intervir na discussão dos outros, além do mais, eles poderiam ter reclamado de onde se encontravam. Nos apartamentos que rodeavam o supermercado. Embora da distância, Ronny viu no olhar do estranho homem, certo tipo de fome, uma ânsia, um desejo incomum. –MARTIM!
O Dominique mais novo levara um baita susto, dera um pulinho, e pôs as mãos por sobre o peitoral. Quase tivera um ataque do coração.
     -Ronny, quer me matar de susto?! – perguntara retoricamente, já sabendo a resposta, virando de costa, encarando o irmão afastado. –Nossa mãe já o avisara, o que seus ataques de raiva podem causar em mim. Eu que vou enfartar e não você!
     -Saía já daí! Quantas vezes devo dizer para não se aproximar de gente que você acabou de encontrar NO MEIO DA NOITE? – Ronny fizera gestos para o garoto apressar o passo. Porém o desconhecido estava bem perto do jovem irmão.
Martim iria respondê-lo, no entanto, o estranho caminhante, que antes vinha na direção dos três amigos, agarrara repentinamente o garoto ruivo. Ele gritara e o mandara soltá-lo. Ronny sabia que Martim não tinha nenhuma intenção de machucar uma mosca, quanto mais um ser humano. O irmão mais velho fora o primeiro a correr, Gustavo, antes perdido nos próprios pensamentos, acompanhara o passo do amigo. Percebera a situação, e aumentara o passo. Segurou os braços firmes do estranho, que apertavam os braços do garoto ruivo, imobilizando os membros superiores. Gustavo olhara de relance para o rosto do agressor, e achou ter visto uma parte do rosto do homem sendo devorada por larvas. Ele soltara os braços do estranho. Tinha nojo. Observara que as mãos deste eram pútridas, parte dela era verde e cinza e amarelada.
     -O que está fazendo cara? Não o deixe escapar! – ordenou Ronny, contudo, seguira o olhar de Gustavo e avistara também. A pele morta do agressor. Além disso, percebera que quando soltara os braços do homem, suas mãos estavam grudentas.
     -O que foi?! – perguntara Martim, confuso, perdido no assunto, tentando desvencilhar-se do rapaz. – Tire ele daqui! Por favor! Por favor!
Ronny balançara a cabeça, desviando a atenção dos devaneios. Isto está errado, cara, muito errado, pensara consigo mesmo. Continuou a puxar os braços mortos, porém ainda funcionais, do homem. Martim estava exausto de empurrar o corpo do agressor para longe de si que por um breve, e importante, segundo, deixara soltar os braços. Fora o tempo que o rapaz meio morto tivera para abocanhar parte de cima do ombro de Martim. Este gritara até acabarem todas as suas forças. Gustavo, que antes estivera segurando e mantendo o desconhecido afastado do jovem garoto, puxou o homem com toda a sua força e o jogara no chão. Por fim, pisara na sua cabeça fortemente, e ela explodira por baixo de sua sola com toda a pressão exercida sobre ela.
     -Gu, você matou o cara! –vociferou Ronny. Confuso e assustado.
     -Não temos tempo pra isso, olha o que ele fez com o seu irmão! – apontara para o ombro ensanguentado do menino. Este choramingava, e tremia. – Vamos entrar no supermercado, lá dentro tem uma área de farmácia. Podemos pegar um remédio pra ele.
Ronny ponderou a ideia. Notou que o irmão puxava sua camiseta, já andando para o supermercado. Não teve outra escolha além de acompanha-lo.
Assim que entraram no supermercado, foram correndo, no ritmo de Martim para não se separarem, até a área da farmácia. No momento em que chegaram até lá, vislumbraram a loja fechada, claro. Mas por sorte, a chave que Gustavo mantinha em mãos, era a chave mestra. Abriu o portão e contemplou a quantidade enorme de remédios nas estantes espalhadas.

     -Pegaremos o que for preciso – avisara Gustavo. Voltaram para se reencontrar assim que tinham todos os equipamentos precisos para a situação do pobre garoto ensanguentado. Puseram no chão todos os medicamentos que acharam para tratar da ferida, as bandagens, e até uma bolinha para Martim por todo o sofrimento nela. 

10.09.2014

THE WALKING DEAD 400 DAYS

CAPITULO: 1



A
 estrada a sua frente estava vazia. Ainda faltavam quilômetros para chegar até seu destino. Sempre fora assim, nada nunca seria tão fácil. As pernas de Gustavo bamboleavam e doíam de câimbras, suas costas queixavam-se com o excessivo peso que carregava na grande mochila. Gustavo não fazia ideia há quantos dias estava na estrada. Cinco?Ou será que era dez?
Gustavo Moacir era um garoto difícil de entender, de se ler; era um garoto briguento, mas tinha seus motivos para cair em detenção; tratava os melhores amigos como se fossem irmãos, porém às vezes se pegava perguntando se estes fariam o mesmo por ele. Gustavo era pequeno, menor que o padrão médio, puxara os cabelos cacheados e negros do pai, e os olhos esverdeados da mãe. Possuía a pele morena, os olhos puxados caracterizados dos índios, a boca carnuda e algumas pintas espalhadas pelo rosto marcado de pequenas cicatrizes. Gustavo poderia ser considerado um garoto bonito, contudo, sua personalidade rude deixava a aparência de lado.
         O cenário ao seu redor não era tão aconchegante como gostaria que fosse. A estrada vazia, sem carros passando, apenas com a companhia dos pinheiros que rodeavam o chão asfaltado e o som da ventania. Nem mesmo os pássaros se atreviam a produzir alguma sinfonia cantante e monótona, como costumavam. Tal coisa o deixava perturbado. Gustavo sempre sonhara com o lugar perfeito, em que ninguém pudesse atrapalha-lo, e houvesse total silêncio. Mas, agora, sonhava com o dia em que poderia voltar a ver uma alma viva. No momento, sonhava com o dia em que voltaria a ver seus pais. Gustavo nunca pensara que um dia pudesse desejar tanto isso, afinal, antigamente, havia constantes brigas em sua casa. E Gustavo estava presente em todas elas, não como espectador.
A uns metros de distancia, na estrada, estava um zumbi se rastejando, procurando sua razão de viver. Carne humana fresca. Este não parecia que viveria por tanto tempo, pois perdera suas pernas. Gustavo continuou a caminhada até chegar perto do morto-vivo, pegou uma pedra que estava em seu caminho, e a jogou contra o desajeitado zumbi.
         -Você não virá até aqui me comer, não é? – caçoara o menino, sentindo-se solitário e deprimido por estar falando com um cadáver que não o entenderia, mesmo que fizesse esforço. O pequeno e rude garoto pisara na cabeça do morto-vivo, para acabar com o seu sofrimento. Ele tinha certeza de que ninguém gostaria de terminar assim, daquele jeito lastimável. Comendo as vísceras de quem uma vez fora seu parente, ou mesmo um amigo. Gustavo já passou por isso, um de seus amigos se transformara nesta criatura esfomeada, e matou inconscientemente o próprio irmão. Aquele pensamento o trouxe náuseas e calafrios por toda a espinha. Tentara esquecer por vezes deste fato, no entanto, esta lembrança dolorosa sempre voltava à tona. Perdera os dois únicos amigos neste dia, depois de uma grande briga que tiveram. Gustavo sentira-se mais sozinho que nunca depois daquilo.
              O menino pequeno e rude apressara o passo a fim de chegar ao seu destino antes mesmo da noite. Até ouvir um som de motor atrás de si. Um carro. Só poderia ser um carro vindo em sua direção. Por tudo e todas as situações que Gustavo passara, um carro não estava classificado como uma coisa boa. Poderia ser uma gangue, ou simplesmente alguém armado, que continha algo em comum com Moacir, sobreviver. O motorista veria Gustavo andando no meio da rua, e o assaltaria, roubaria todos seus mantimentos – que a propósito, já estavam escassos – e o largaria ali para morrer. O garoto não queria pegar carona com esse tipo de gente, mas também, por outro lado, eles poderiam aceitá-lo no grupo e Gustavo não teria mais que andar sozinho pela estrada. Aparentava ser uma boa ideia, no entanto há sempre o lado negativo que constantemente vencia.
 Ora não queria continuar a seguir seu próprio caminho só, ora queria fugir deste sujeito. Gustavo Moacir não teve tempo para pensar, o carro estava se aproximando. Ele se jogou num dos arbustos, na margem da estrada e ali ficou. Esperou o carro passar, porém, o veiculo parou. Gustavo entrou em pânico. O sujeito o havia visto. Porcaria, pensou Moacir.
-Ei, garoto! –chamou uma voz masculina e áspera – Eu te vi, pode sair daí agora.
O homem desconhecido o vira, não tinha como escapar mais, não havia para onde correr. Se virasse e corresse floresta adentro, os mortos-vivos o seguiriam. Se não, seus mantimentos acabariam e ele morreria de fome.
No rosto do menino pingavam seu suor de nervosismo, seu corpo tremia de pavor. Definitivamente, o garoto não gostava de estranhos. Apesar de desejar interagir-se com alguém que estivesse inteiramente vivo. Sentia que enlouqueceria se continuasse sozinho, olhando e vivendo o mesmo cenário há meses.
- E-eu não quero causar nenhum problema! – Gustavo gaguejou, saindo de seu esconderijo arranjado, levantando as mãos em sinal de “paz”.
Moacir pôde ver o rosto do individuo. Aparentava ser um homem no começo da fase adulta, porém, aqueles que continuaram a ter aquela personalidade de fanfarrão e criança. Este possuía dezenas de tatuagens espalhadas pelo corpo, chegava até mesmo o pescoço; seu cabelo era pintado de um azul escuro, como se tivesse colocado a tinta por cima da cor original do cabelo. Os olhos do rapaz fulminavam Gustavo, igualmente ao qual um consumidor olha para um produto em liquidação. Ele usava uma roupa casual meio dark, com a camiseta de uma banda aleatória e o braço entupido de pulseiras.
-Eu também. – Ele sorrira. O homem fizera uma transformação notável nos dentes, afiando os caninos, tal como os vampiros. –Qual o seu nome?
-Não te interessa – respondeu de malgrado, semicerrando os olhos com desconfiança.
  O rapaz tatuado revirou os olhos.
-Garoto, eu não sou da policia, não vou te fichar nem nada – ele continuou sorrindo maliciosamente, balançando os braços como gestos de “eu não ligo muito pra isso”. – Acho que você não percebeu, mas, estamos no meio de um apocalipse zumbi. Sou Vincent Stálin. Mas pode me chamar de Vince.
Gustavo deu de ombros. Será que esse tal Vincent mentiria sobre o próprio nome? Deveria Gustavo fazer o mesmo? Como o sujeito lhe dissera, ninguém estava ali para lhe julgar ou fichar por matar esfomeados mortos-vivos pelo bem da comunidade já há muito extinta.
-Gustavo Moacir.
O rapaz, denominado Vincent, aplaudira-o sarcasticamente. Logo, Vincent abrira a porta de passageiro do carro, mostrando o interior de seu veiculo. Era uma bagunça, de balinhas de goma às latas de refrigerantes no chão. O banco estava manchado de algum liquido desconhecido, e Gustavo não tinha certeza se teria visto uma barata zombeteira passeando pelo porta-luvas ou fora apenas sua imaginação fluindo.
- Quer uma carona? –O sujeito levantou as sobrancelhas, de modo acolhedor.
Uma parte de Gustavo dizia para ele não entrar naquele carro, e continuar a andar tal como nunca tivesse conhecido esse individuo. No entanto, a sua outra parte um pouco mais ingênua e poderosa, lhe aconselhava pegar uma carona com Vincent até o seu destino, para assim suas câimbras e dores na coluna esvanecer.
O garoto seguiu o conselho da parte menos poderosa, da qual se orgulhava em ainda ter nesses momentos. Ele balançou a cabeça negativamente.
-Mas por quê? –o homem insistira implicitamente – Não acredito que você perderá, talvez a sua única chance, de pegar uma carona... Eu posso te levar para onde quiser! Juro!
Gustavo Moacir continuara a balançar a cabeça, um pouco menos determinante.
-Vamos! – Vincent insistira, gesticulando com as mãos para o garoto subir no carro e ir com ele enfrentar aventuras. – Eu não quero ficar sozinho neste inferno, não há nada além de matar mortos-vivos e conseguir suprimentos para sobreviver. Qual o problema em começarmos um grupo, hein? Gustavo e Vince! Soa até legal!
Caramba como esse cara é insistente, pensara Moacir, arregalando os olhos de tamanha surpresa. O garoto estava agora mais assustado que tendente a ir a algum lugar com este homem. Porém, ainda se sentia incerto sobre sua decisão.



Vincent estava prestes a continuar com a insistência, quando os dois ouviram um som alto e nefasto. Gustavo e Vincent sabiam bem o que eram, entretanto esperaram a multidão chegar para comprovar suas suposições. Era uma horda de zumbis. Todos caminhando em direção aos dois rapazes. Provavelmente o ruído do motor do automóvel tenha chamado à atenção destas criaturas infernais.
-Agora não há mais tempo pra pensar! –gritara por sobre o tumulto dos mortos-vivos. Porém, Gustavo fingira não ouvir. Ele estava apavorado demais para se mover, ele ficara imóvel, hipnotizado, com o tamanho da horda de zumbis.
Vincent percebendo que Gustavo não sairia dali, olhou através do retrovisor e observou se as criaturas nefastas estavam perto demais. Ele tinha tempo para empurrar o garoto para dentro do carro, mas se este não cooperasse, deveria deixa-lo lá. Stálin saiu do carro, correu até o menino assustado e tentou puxa-lo para dentro do veiculo.
-Vamos, Gustavo! Saí dessa, irmão! –o homem dissera-lhe palavras reconfortadoras, mas estas não foram o bastante para tirar Moacir de seu transe. –Cara, se aquelas coisas chegarem até a gente; não teremos chance! Vamos!
O rapaz dera um tapa demasiado forte no rosto paralisado de medo de Moacir. O garoto acordou da forma mais inconveniente. Gustavo soltou tudo que estava sentindo por dentro, a partir de um grito tão alto que os pássaros escondidos nas árvores voaram para longe deles.
-Caramba! – Vincent riu na pior hora possível. Assim que o garoto terminou de vomitar seu lanche e praticamente a única coisa que tivera para comer esta tarde, eles entraram apressados no carro. Stálin tentara ligar o carro, mas este morria sempre que tentava. Outro problema para a dupla.  – Qual é, belezinha, não vai me deixar na mão, né?  Não agora...
Gustavo Moacir entrara em pânico novamente, inspirando e expirando forte, sentia que o sangue não estava circulando direito e seu ar estava acabando mais rápido do que deveria. Ele segurou o pulso do homem, e o encarara com um mix de emoção. Frustração e medo.
-Faça essa coisa – parara para recuperar o fôlego – ligar, agora!
O homem passara a mão livre no pulso marcado com os dedos firmes do garoto. Ele novamente olhara no retrovisor, a horda estava chegando mais perto, agora podia ver nitidamente os rostos dos desalmados. Vincent que antes tivera tirado a chave, a colocara de novo com pressa, e a desgraçada caíra de suas mãos.
-Merda, merda, merda... –murmurou Stálin repetidas vezes – Não comigo, não aqui, não agora. 
Moacir obsevera a situação. O carro morrera, a chave tão importante para este momento caíra, e a multidão de mortos-vivos esfomeados estava se aproximando. Pois é, eles não tinham chance alguma. Este seria seu ultimo suspiro, seu ultimo dia de vida. E estava preso com esse desconhecido, e prestes a ser devorado por criaturas desumanas. Gustavo não sabia até quando aguentaria toda aquela adrenalina, sentia que iria desmaiar. Seu coração palpitava e as mãos tremiam e suavam frio. O garoto começara a cantarolar uma reza, desejando que desta vez a entidade superior o ouvisse e o ajudasse.
-Fica frio, está tudo sobre controle, cara – garantiu-lhe Vincent, que segurava a preciosa chave nas mãos. Ele colocara com cuidado a chave para dar ignição no carro.  O carro ligou, e a sobrecarga no pobre coração do garoto diminuiu, ele sentiu-se aliviado. Contudo, uma parte da horda, dos mais sortudos, chegara ao veiculo. Os esfomeados balançavam a traseira do automóvel, querendo derruba-lo, e alguns se encaminhavam em direção as janelas da frente. –Saiam daqui, coisas feias! – Stálin gritara, empurrando os braços pútridos dos mortos intrometidos.
Moacir tomara um susto assim que o primeiro par de braços apareceu na sua janela, empurrou-os para fora e fechou a janela rapidamente. Ouvira algo se rachar. Era o vidro traseiro, do porta-malas que estava quebrando. Os dois rapazes teriam que se apressar se quisessem sair de lá vivos.
-QUE SACO, VINCENT, LIGA ESSA DROGA DE CARRO AGORA! – Gustavo estava principalmente frustrado, pois queria muito não estar ali, e Vincent Stálin o forçou a isso. Finalmente o rapaz tatuado ouvira Gustavo, assim como o carro sentira a sua raiva.
O automóvel começou a andar lentamente por causa do excessivo peso dos mortos por sobre o veiculo, alguns esfomeados caíram no asfalto, rolando e consequentemente derrubando outros de sua espécie. Uns, mais persistentes, prenderam-se no capô.
- Eu sei que você passou por muita coisa, essencialmente hoje – continuara Vincent Stálin, ora olhando a estrada, ora encarando espantado para Moacir -, mas eu preciso que você tire estes desgraçados encima do meu capô, entendeu?
-Como é possível eu fazer isso sem ser mordido?! – perguntara apavorado, ele não queria ser um deles, nem mesmo queria encostar neles.
Vincent olhou ao redor, procurando um objeto grande o bastante para manter o garoto assustado afastado destas criaturas. Na parte detrás do carro, onde se encontravam os bancos traseiros – que estavam infestados de mochilas de antigos parceiros, agora transformados em criaturas sem almas; e entupida de bens de consumo já há muito usadas–, Vincent avistara um bastão de beisebol caído e solitário. Ele o pegara e entregara a Gustavo Moacir.
-Com isso. Boa sorte – ele esboçara um sorriso intencionalmente amigável, para assim transmitir uma ideia de que estaria tudo bem para o pobre garoto.
E assim fez, Gustavo tomou o bastão da mão de Vincent Stálin e abriu a janela de sua porta. Sentia o vento soprar seus cabelos ondulados, afastando as mechas suadas da testa, e encher-lhe os pulmões de ar. Infelizmente, para o seu mal, as criaturas esfomeadas já havia percebido a presença nítida de carne humana, estes avançaram para cima de Gustavo. E o garoto rebateu um dos mortos vivos para longe, caindo do veiculo em movimento e espatifando-se ao chão. Ainda faltava dois, que estavam no lado do motorista, atrapalhando a sua tão importante visão. Depois do primeiro zumbi jogado para fora do carro, Moacir sentira um alívio e um começo de um vício por matar mortos vivos. Ele se projetara para fora da janela, sentando desconfortavelmente na porta, e lentamente se aproximava dos intrusos. Cutucou-os de longe, mas nada fora efetivo. Eles apenas esquivaram. Gustavo sem ideias fez o possível, até tentar chamar os mortos vivos com assobios e gestos. E novamente nada fora efetivo.
-Tenta chegar mais perto – avisara-lhe Vincent. Não sabendo do risco da situação.
Gustavo Moacir bufara de raiva. Tenta vir no meu lugar, sacana, quero ver fazer melhor, ele dirigira a frase num só olhar, e Vincent entendeu o recado.
Apesar de estar quase sem forças para continuar a segurar-se no teto do carro, ele tentara chegar um pouco mais perto do capô. A sua sorte foi que os intrusos chegaram mais para perto, rastejando-se no seu ritmo lento. Gustavo esperou as criaturas chegarem mais perto, até que avançou para cima delas. O zumbi da frente se desequilibrou com o golpe do garoto e levou o outro de sua espécie junto, para a morte. Assim que as criaturas caíram, o veiculo passou por cima delas, fazendo Gustavo pular e por meio segundo perder o equilibro; o garoto deixou o bastão cair, logo que segurara com as duas mãos na porta do carro.
-Obrigada por isso – dissera Stálin sarcasticamente. Porém este não parecia tão preocupado com o bastão.
- Pelo menos estou vivo, não é? – respondera Gustavo com preguiça para começar uma briga sem sentido. O garoto coçara a cabeça com nervosismo, percebera que as mãos estavam tremendo imperceptivelmente.
Vincent o observara dos pés a cabeça.
-É... Ao que parece, não foi mordido, então não vou ter que matar você – o homem sorrira, mesmo sendo verdade, Moacir se assustara com o fato. O lembrou da vez em que fora obrigado a matar os dois melhores amigos, sabendo que o que eles queriam era Gustavo sendo forte naquela guerra contra a morte e sobreviver o máximo possível. Olhar sempre para frente. –Então, para onde quer ir?
 todo o histórico neste final da tarde, o fez esquecer-se de onde queria ir.
-Eu não sei.
Vincent parecera confuso, mas percebera que o garoto havia passado por muita coisa, sendo assim, continuara dirigindo.
-Tudo bem. Vamos descobrir depois.


Apresentação

HELLO EVERYONE.
IT DOESN'T MATTER THE FACT, THAT NOBODY IS READING MY BLOG, I LIKE MISTERY ANYWAYS.

Enfim, vou dizer logo que apaguei antigas publicações, pois tenho esse blog há um tempo muito longo. Longo até demais. E simplesmente não tinha nenhuma visualização. E como eu não sou alguém que gosta de chamar muita atenção, ou utilizar coisas que chamem atenção, principalmente na internet (sei lá pq), fiz este blog pra colocar minhas histórias.
 ENJOY IT,
SCAR